Café com Games » mods http://www.cafecomgames.com O Podcast sobre Games Sun, 26 Dec 2010 22:58:19 +0000 pt-br hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.0.3 Copyright © Café com Games 2010 [email protected] (Café com Games) [email protected] (Café com Games) Podcast 1440 http://www.cafecomgames.com/wp-content/themes/ccg/images/cafecomgames.jpg Café com Games » mods http://www.cafecomgames.com 144 144 O Podcast sobre Games Café com Games Café com Games [email protected] no yes A Obra colaborativa Turca de Mount & Blade http://www.cafecomgames.com/ideias_1/ http://www.cafecomgames.com/ideias_1/#comments Wed, 08 Sep 2010 17:17:39 +0000 Estolano http://www.cafecomgames.com/?p=581

Com o fim da Guerra fria e a recente retirada de Fidel do poder, as chances dos comunistas dominarem a mente das pessoas como os Norte-americanos tanto temem se tornam cada vez mais remotas, portanto; ainda vivemos em um planeta capitalista movido a dinheiro, tem sido assim nos últimos 12.000 ou 4.500 anos (se você for criacionista) de sociedade humana e será assim por um bom tempo quer você goste ou não.

Discussões políticas bobas a parte, algo que aprendi bem na área de projetos gráficos é: existem projetos que só cabem em determinados orçamentos. Há ideias brilhantes que podem ser executadas com pouco dinheiro e outras igualmente geniais que dependem exclusivamente dele. Você não pode fazer um filme épico com batalhas de larga escala, figurinos e ambientes fantásticos como Senhor dos Anéis com a mesma quantia gasta em um dos melhores filmes de suspense dos últimos anos Atividade Paranormal, assim como dar o orçamento de um arrasa-quarteirão para os produtores de A bruxa de Blair seria o maior exemplo de luxo e desperdício registrado na história.

Um dos exemplos que mais admiro é do casal turco Amagan e Ipek Yavuz, que fundaram em abril de 2005 uma desenvolvedora independente de jogos chamada Taleworlds, focada no desenvolvimento de jogos de código aberto lançados em pequenas ondas expansivas. Por mais estranho que pareça falar assim de algo que aconteceu à apenas cinco anos atrás, o mercado de jogos por download como vemos hoje era algo bem menos palpável.  Seu primeiro título foi Mount & Blade, inspirado pela paixão dos dois por RPGs e feiras medievais, o game leva o jogador ao continente fictício de Calradia, dividido em nações inspiradas em povos Hunos, Persas, Britânicos, Nórdicos e Bárbaros que disputam por poder. Nele você assume o papel de um personagem em busca de fama e riquezas no campo de batalha trilhando o caminho da maneira que quiser.

Seja servindo como lanceiro de um senhor feudal ou reunindo seu próprio exército de seguidores. As possibilidades do game são imensas, começando pela sua origem, que pode ir de um simples fazendeiro cansado da vida no campo até um herdeiro bastardo tentando conquistar um trono. Você pode formar alianças com qualquer reino e comprar a briga de qualquer senhor feudal no caminho da ascensão, executando tarefas que vão de uma simples entrega de recado até infiltrações como espião ou casamentos arranjados para forjar alianças.

Apesar de se comportar como um RPG, onde seu personagem acumula experiência para gastar pontos em habilidades, Mount & Blade se diferencia do gênero em vários fatores, a começar pelo mundo; apesar de ser um lugar fictício, em Calradia não há monstros ou magias, só homens, mulheres e castelos de pedra; As habilidades do seu personagem pouco influenciam no seu combate, executado em tempo real, como o nome do jogo já diz “Mount  & Blade”(montaria e lâmina) vem do fator de velocidade da sua montaria que influencia diretamente no dano causado pela arma; e não há aqui uma história ou busca a ser seguida, você literalmente escreve sua história tomando decisões e formando alianças.

Você passa boa parte do jogo viajando pelo mapa em busca de tarefas para executar, o que pode se provar um pouco tedioso (deem um desconto, é um jogo indie), mas Mount & Blade brilha mesmo nos campos de batalha: quem é familiarizado com os livros do autor Bernard Cornwell sabe bem a emoção de ser um homem dentro da famosa “parede de escudos”, onde os homens se separam das crianças. Nenhum outro game presenciado por esses olhos míopes conseguiu passar tão bem a sensação de estar em um campo de batalha medieval, de ser um guerreiro fazendo parte de algo bem maior que você. Ao contrário dos outros jogos onde tudo gira em torno de você, a história, o comercio, os combates; em Mount & Blade você é só mais um em um mundo que segue seu caminho sozinho e em uma batalha onde o mais retardado dos soldados novatos controlados pela Inteligência Artificial pode vir a se tornar o grande herói do momento.

Como nem tudo são flores em um mundo de baixo orçamento, infelizmente os gráficos In-Game conseguem ser até mais precários do que esses que vos forneço neste post, é difícil criar um personagem com aparência descente no editor e as animações são visivelmente toscas. Os controles, apesar da inventiva mecânica dos ataques, são antiquados e lembram os primeiros jogos para PC como os primeiros Hitman ou Rune(o do vinking baseado em Unreal 1, não o browser MMORPG). Para os mais “mimados” por Dragon Ages e Oblivions da vida, a ausência de dublagem pode ser incômoda, os textos das quests são imensos, mas basta uma memorização das palavras-chave e você já saberá o que tem que fazer. A trilha sonora é até legal, mas não consigo distinguir se são 1 ou 3 musicas diferentes apenas, portanto recomendo ter uma boa playlist pra substituí-la (ou ouça o Café com Games enquanto joga, rsrs).

Apesar de sua falhas técnicas e aspecto datado, o jogo traz uma proposta pouco vista em games; a de passar ao jogador a sensação de ser parte de algo maior que ele através de batalhas épicas que até hoje, só a série Total War se propõe a mostrar, exceto pelo fato de que a perspectiva usada em Mount & Blade torna tudo mais imersivo.

É um game ambicioso feito com o orçamento errado, que caso sua ideia fosse aproveitada por uma  grande Publisher, proporcionaria uma das melhores experiências já vistas.

Convido todos vocês a experimentarem a demo disponível neste link:

Download do Demo

Ele te permite jogar até seu personagem alcançar determinado nível, vale a pena experimentar.

Para os que decidirem se aventurar pelas terras de Calradia, os convido para o próximo post dessa coluna onde vou falar sobre a comunidade colaborativa do jogo e seus inúmeros mods e um pouco mais sobre a história da TaleWorlds.

Até a próxima e que a força esteja com todos vocês!

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